31 de Dezembro

Que todos os dias sejam como este último
Que em todos exista aquela esperança infantil
e o riso desmesurado em tom de alívio.

Que o fim do ano continue a ser o fim temporário de todos os problemas do mundo,
Que se continuem a fazer listas idiotas que apenas neste dia parecerão tangíveis.
Que se comam as passas mesmo contra vontade,
E que a nossa visão se banhe a tons dourados e brilhos intensos.

Que o último dia do ano seja aquele em que o mundo é a utopia,
Onde crise  apenas precede crisantemos.
Usem-se as peles,
Abuse-se do champanhe
Que a realidade tem folga hoje.

Eu quero

Eu quero, sem demoras e percalços, ser aquele ponto final que marca o objectivo cumprido.

Quero, sem rodeios e ameias, deixar o i de lado e passar a ser completa, do meu jeito estranho e com os tons que vejo o mundo. 

Eu quero deixar de ser a página em branco no final do livro. Que se escrevam em mim todas as letras e entre elas formem as mais bonitas palavras, as mais fortes e no entanto, as mais simples, sem capitais ou hipérboles.

Eu quero ser o álbum de todos os que, por um motivo ou outro, entraram na minha vida  graças àquela poderosa força que é o acaso, e dos que já estavam premeditados. Quero que em mim se reflictam as acções deles, quero ser o espelho dos seus pensamentos, como um rio.

Quero desesperadamente ser a água límpida e corrente que atravessa o mundo e corre sempre com o mesmo entusiasmo sem nunca perder a claridade e beleza na sua simplicidade.

Que se faça de  mim espelho de ti, espelho dos outros. Que todos os momentos potencialmente bonitos sejam bonitos e que se ache beleza nos menos formosos.

Eu quero, sem demoras nem percalços, ser.